Resgatando o sonho depois do amanhecer
Querido, eu previ que você se comportaria daquela maneira. E com uma vidência quase mediúnica previ que você falaria aquelas frases desconexas.
Você me suga, inconsciente, não é sua culpa (eu sei). O sol entra descontrolado pela janela do meu quarto. Eu queria uma cortina pra barrar toda essa imponência do astro-pai. Tão seguro de si, invade todos os cubículos, e impõe a luz amarela na minha mente, me despertando feroz do sonho em que eu te possuía.
Me recomponho e saio pra comprar pão.
O sol me banha de luz e calor a força. A cada raio amarelo-ouro meus pensamentos se amortecem. Ainda que eu prefira continuar no escuro, protegida da claridade. Me expor ainda é sinônimo de dor.
Porém esqueço. Esqueço a noite e meu sonho.
Em breve estarei bronzeada. Iluminada! Eu sei que vou gostar do sol
Em breve sairei do umbral diário
Em breve não haverá vidro fumê, nem cortina, nem protetor solar.
Sua presença não vai me deixar insegura, vou gostar de você, querido, sem arrependimento. Vou ser praia, mel e piscina. Vou ser alegria, areia e mar. Meus obsessores cairão ao verem o dourado que me envolve.
Um dia, um dia. Hoje não! Só vou sair pra te encontrar depois das 6
domingo, 11 de março de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Devaneios reais, não importa o quão improváveis sejam na entrada.
O passado se reconstrói como eu desejo. Sinto o magnetismo brilhando de acordo com a luz branca que me deixa eufórica. Tudo existe de acordo com meu ponto de vista. Não que eu goste de me enganar... Talvez seja um ponto de fuga pras piores incertezas. Ajo de acordo com o rítimo, danço cada vez mais cega. Mais ágil. Mais encarnada.
O sal do meu suor se mistura com o doce do meu perfume. "Eu sou quem eu quiser!"
Linda.
Ou essas luzes piscantes curam ou eu já nem lembro mais da minha tristeza.
Uma mechinha de cabelo gruda no gloss de morango da minha boca. Interrupção, ruídos.
(e incerteza)
Beijos pobres por mais ardentes que sejam. Só duram até o dj parar de tocar o dub sugestivo.
Iluminação, calor. Todos próximos. Mas ainda vejo carência transbordando.
Fila pra pagar a conta, "4h! o lugar tá fechando". Pague sua diversão no débito e apresente o cartão de liberação na saída. Nossa civilidade surpreende. Amados e compreendidos.
"People were dancing like there's no tomorrow, oh! meat city..."
O passado se reconstrói como eu desejo. Sinto o magnetismo brilhando de acordo com a luz branca que me deixa eufórica. Tudo existe de acordo com meu ponto de vista. Não que eu goste de me enganar... Talvez seja um ponto de fuga pras piores incertezas. Ajo de acordo com o rítimo, danço cada vez mais cega. Mais ágil. Mais encarnada.
O sal do meu suor se mistura com o doce do meu perfume. "Eu sou quem eu quiser!"
Linda.
Ou essas luzes piscantes curam ou eu já nem lembro mais da minha tristeza.
Uma mechinha de cabelo gruda no gloss de morango da minha boca. Interrupção, ruídos.
(e incerteza)
Beijos pobres por mais ardentes que sejam. Só duram até o dj parar de tocar o dub sugestivo.
Iluminação, calor. Todos próximos. Mas ainda vejo carência transbordando.
Fila pra pagar a conta, "4h! o lugar tá fechando". Pague sua diversão no débito e apresente o cartão de liberação na saída. Nossa civilidade surpreende. Amados e compreendidos.
"People were dancing like there's no tomorrow, oh! meat city..."
o amor em 1984
A idealização caiu. E nós não somos tão humanos
O seu dia acabou, mas sua memória não morre- toque de recolher-
Você se apaixona por ele
e se aproxima do término.
concede o fim
E concorda que todo aquele teatrinho tem hora pra acabar.
Eu não tenho como provar, mas você conhece perfeitamente toda a estupidez
que preenche nossas semanas tão ocupadas
e nossos corações tão covardes.
O seu dia acabou, mas sua memória não morre- toque de recolher-
Você se apaixona por ele
e se aproxima do término.
concede o fim
E concorda que todo aquele teatrinho tem hora pra acabar.
Eu não tenho como provar, mas você conhece perfeitamente toda a estupidez
que preenche nossas semanas tão ocupadas
e nossos corações tão covardes.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Como o ouvido humano pode produzir lágrimas devido a uma sequência de acordes?
"Seus pais não se importam se você demorar pra chegar em casa [...]" É, só preciso sentir aquela chuva grossa molhando cada centímetro da minha pele morena-clara. Lágrimas de revolta ou paixão(?) se misturam as gotas da chuva torrencial perto da minha boca. Minha boca sente... ah se ela falasse. Se minha boca pudesse contar o que já sentiu. Ela já te sentiu. Mas a boca é apenas um instrumento. As emoções vão de brinde. E depois voltam pra me ferir. Desafio mais ainda a tensão das minhas costas, agora muito molhadas. A camiseta surrada do led zeppelin agora está encharcada, pregada no sutiã cor-de-rosa...Já tinha até esquecido a feminilidade duas ruas atrás, não estou no humor pra isso. Meus cabelos preto-avermelhados pingando água acompanham o movimento das pernas douradas que, caminhando trêmulas, já não se importam com os olhares dos caras sentados na calçada. A chuva engrossa mais, meu mp3 provavelmente vai estragar... Mas não dá, sem música não dá, sem música eu não choro. Ou até choro, sem sofrer. Cansei de buscar atalhos com essa água suja nos pés. Estão gelados e dormentes. Cansei de andar nas ruas cheias de poças da 114 norte. Vou voltar... Além disso, a playlist já está repetindo tudo pela segunda vez. Tenho comigo só as lágrimas que caem do céu, pois as minhas secaram.
O que me faz chorar são notas musicais. O que faz o céu chorar?
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
O desejo violento estava quase adormecido. Estava certa disso.
Ele me olhando por cima do livro naquele corredor, ah, mas pelo menos ele sabe disfarçar, coisa que você nunca aprendeu, dalila.
Ultimamente venho vivenciando uma resistência artificial diante tantas saudades.
Saudades de coisas que nunca aconteceram - moral kantiana-
Te saboreio ainda, secretamente... Até que uma memória chega e me remete à sua falta de modéstia.
Você é um ridículo. Mas, fraca que sou, me identifico em cada frase que sua boca pronuncia, em cada acorde que você toca naquele bar da asa norte.
Eu assumo que meus sonhos são misantropos, meu som de lua só toca o que você ouve. Só leio livros que convém ao seu humanismo
Sou manipulada,
desesperada.
Mas minha criticidade continua sendo meu melhor álibi. Contra a cultura. Contracultura. E você... você é muito burguesinho pra mim.
Ele me olhando por cima do livro naquele corredor, ah, mas pelo menos ele sabe disfarçar, coisa que você nunca aprendeu, dalila.
Ultimamente venho vivenciando uma resistência artificial diante tantas saudades.
Saudades de coisas que nunca aconteceram - moral kantiana-
Te saboreio ainda, secretamente... Até que uma memória chega e me remete à sua falta de modéstia.
Você é um ridículo. Mas, fraca que sou, me identifico em cada frase que sua boca pronuncia, em cada acorde que você toca naquele bar da asa norte.
Eu assumo que meus sonhos são misantropos, meu som de lua só toca o que você ouve. Só leio livros que convém ao seu humanismo
Sou manipulada,
desesperada.
Mas minha criticidade continua sendo meu melhor álibi. Contra a cultura. Contracultura. E você... você é muito burguesinho pra mim.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
S O U
Escrevo de lápis com medo do erro.
Não estou passível a ataques existenciais porque minha vida aqui limita-se a meras cópias de personalidades. Me sinto desmamada pelo vazio. Um vazio que só eu entendo. Só entendo no escuro.
Uma troca de 3 palavras já é o bastante para alimentar uma série de auto-ilusões. Não ligo a luz para reler essas frases jogadas. Eu não quero me compreender. Nem me delimitar em descrições genéricas . Eu e minha poesia somos oscilantes, somos dependentes de circunstâncias externas. Minha metamorfose é incessante, dependendo do tipo de tarde, posso me arrepender ou me vangloriar. E assim quero me livrar daquele orgulho burguês, estou assumindo que eu erro. Assumo que sou errada.
E posso consertar ou não.
Por isso escrevo de lápis.
Não estou passível a ataques existenciais porque minha vida aqui limita-se a meras cópias de personalidades. Me sinto desmamada pelo vazio. Um vazio que só eu entendo. Só entendo no escuro.
Uma troca de 3 palavras já é o bastante para alimentar uma série de auto-ilusões. Não ligo a luz para reler essas frases jogadas. Eu não quero me compreender. Nem me delimitar em descrições genéricas . Eu e minha poesia somos oscilantes, somos dependentes de circunstâncias externas. Minha metamorfose é incessante, dependendo do tipo de tarde, posso me arrepender ou me vangloriar. E assim quero me livrar daquele orgulho burguês, estou assumindo que eu erro. Assumo que sou errada.
E posso consertar ou não.
Por isso escrevo de lápis.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
sur le balcon
Cansei de suas rimas pré- elaboradas
que versificam cada respiração.
Cansei de chegar e te ver cansada
assim, sem ânimo pra evoluir.
Cansei da sua ideologia fria que ferra com Epicuro.
Suas inúmeras certezas e
dogmas
me confundem.
Você toma mais um café com leite na varanda.
mas cansei do teu café regado à citações dawkianas. Demasiadamente sem açúcar...
Contudo, temos em comum essa crítica burguesa. Vazia, mas digna da minha admiração.
E, quem sabe, garota, digna da minha devoção. Na varanda ou dentro de casa.
que versificam cada respiração.
Cansei de chegar e te ver cansada
assim, sem ânimo pra evoluir.
Cansei da sua ideologia fria que ferra com Epicuro.
Suas inúmeras certezas e
dogmas
me confundem.
Você toma mais um café com leite na varanda.
mas cansei do teu café regado à citações dawkianas. Demasiadamente sem açúcar...
Contudo, temos em comum essa crítica burguesa. Vazia, mas digna da minha admiração.
E, quem sabe, garota, digna da minha devoção. Na varanda ou dentro de casa.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
La Desdichada II
Sigo totalmente indiferente nessa avenida alaranjada.
Não sinto vontade de gritar nem de correr.
Relembro amores não conquistados que guardei na gaveta. Impotente às questões sociais, incapaz de continuar respirando. Não sei nem cantar! Me mantenho em pé as custas.
Nem os cartazes publicitários me manipulam mais, sei que um batom novo não vai cessar minha depressão.
Meu único desejo nesse momento é ser errante.
Sem satisfações ou queixas. Meus desejos já se acabaram. Logo, não há muito sentido numa vida inerte.
Não sinto vontade de gritar nem de correr.
Relembro amores não conquistados que guardei na gaveta. Impotente às questões sociais, incapaz de continuar respirando. Não sei nem cantar! Me mantenho em pé as custas.
Nem os cartazes publicitários me manipulam mais, sei que um batom novo não vai cessar minha depressão.
Meu único desejo nesse momento é ser errante.
Sem satisfações ou queixas. Meus desejos já se acabaram. Logo, não há muito sentido numa vida inerte.
domingo, 24 de julho de 2011
"minha obra se torna cada vez mais incompreensível"
Ela só escreve entre paredes
se esforça pra cumprir a frequência
suprir a carência
Quer ter maturidade
esquecer a inocência.
Ela escreve pra viver
(nunca viveu pra escrever)
Mas noutro dia
ela sacodia o pano dos cabelos
abaixava até esquecer -se abandonou nas mãos de um indiferente- sem pensar nas consequências.
Ela só ama entre paredes,
numa bravata
arrebatou um beijo.
se esforça pra cumprir a frequência
suprir a carência
Quer ter maturidade
esquecer a inocência.
Ela escreve pra viver
(nunca viveu pra escrever)
Mas noutro dia
ela sacodia o pano dos cabelos
abaixava até esquecer -se abandonou nas mãos de um indiferente- sem pensar nas consequências.
Ela só ama entre paredes,
numa bravata
arrebatou um beijo.
terça-feira, 5 de julho de 2011
1975: Aprecio o silêncio. Na minha prosa tímida vou soltando minhas frases prontas num assopro. Dou uma pequena volta em torno de mim. Rodando, assoprando, saltando.
Desentendendo
1979: Desacredito no Silêncio. Sem essa... Nos romances que eu lia ele era capaz de dizer tudo. Na minha boca o Silêncio nada faz, exceto anestesiar minha língua. Quieta, entendiada.
Qualquer coisa
A imagem que eu passo duma garota incapaz de contestar, que só obedece - O Silêncio foi cúmplice nessa construção errônea- Noite torta... tento em vão resgatar o que não foi dito. Lambendo o chão procuro palavras caídas, palavras censuradas. Acho toda sorte de vocábulos, palavras que pais não ensinam aos filhos, mas chega, desisto. O Silêncio que me esqueça, num dia qualquer aí. Se quiser me deixar, que me deixe. Qual o quê. Porque quando O Silêncio resolver fazer isso, minha boca já terá pronunciado tudo que eu queria.
Mesmo que por meio de uma caneta e um papel.
Desentendendo
1979: Desacredito no Silêncio. Sem essa... Nos romances que eu lia ele era capaz de dizer tudo. Na minha boca o Silêncio nada faz, exceto anestesiar minha língua. Quieta, entendiada.
Qualquer coisa
A imagem que eu passo duma garota incapaz de contestar, que só obedece - O Silêncio foi cúmplice nessa construção errônea- Noite torta... tento em vão resgatar o que não foi dito. Lambendo o chão procuro palavras caídas, palavras censuradas. Acho toda sorte de vocábulos, palavras que pais não ensinam aos filhos, mas chega, desisto. O Silêncio que me esqueça, num dia qualquer aí. Se quiser me deixar, que me deixe. Qual o quê. Porque quando O Silêncio resolver fazer isso, minha boca já terá pronunciado tudo que eu queria.
Mesmo que por meio de uma caneta e um papel.
Anti-heroína?
A poesia está nela, está sim
Ela, que divide o tempo
entre o filho pequeno e a casa financiada
que inventa inusitados meios pra fazer o dinheiro render
para comprar pelo menos o pão. E seu esmalte.
Ela, que todo domingo vai à igreja
rezar por um deus-comum
Se sentindo culpada pela última transa com o motoboy da farmácia.
Ela tem poesia, ainda que incipiente, branca.
Num estágio animalesco, porém bonito.
Vantajosa ela é sim. Há de ser rentável
e inspiradora para Aluísio Azevedo talvez...
Figura nitidamente os devaneios de Zola.
Ela, que divide o tempo
entre o filho pequeno e a casa financiada
que inventa inusitados meios pra fazer o dinheiro render
para comprar pelo menos o pão. E seu esmalte.
Ela, que todo domingo vai à igreja
rezar por um deus-comum
Se sentindo culpada pela última transa com o motoboy da farmácia.
Ela tem poesia, ainda que incipiente, branca.
Num estágio animalesco, porém bonito.
Vantajosa ela é sim. Há de ser rentável
e inspiradora para Aluísio Azevedo talvez...
Figura nitidamente os devaneios de Zola.
domingo, 3 de julho de 2011
Serviços de Registro Civil das Pessoas Naturais
Aquele dia de brincadeira foi tão bonito.
você estralava os dedos (me dava agonia)
de repente fui falando de mim, de mim?
Me abri
me assoprei... tão linda eu era naquela noite calma
Saí de mansinho tentando recuperar o choque de estar contigo,
Dei valor às coisas que você me disse!
Eu tava no céu e não me dava conta.
Você é tão escasso ou é só minha capacidade de te idealizar.
Não ligo pros cartórios,que nos delimitam, nem pras suas mãos agitadas.
você estralava os dedos (me dava agonia)
de repente fui falando de mim, de mim?
Me abri
me assoprei... tão linda eu era naquela noite calma
Saí de mansinho tentando recuperar o choque de estar contigo,
Dei valor às coisas que você me disse!
Eu tava no céu e não me dava conta.
Você é tão escasso ou é só minha capacidade de te idealizar.
Não ligo pros cartórios,que nos delimitam, nem pras suas mãos agitadas.
Nascimento da Tragédia (ou Helenismo e Pessimismo)
Dupla face. Polarizada. Uma parte de mim impulsiona. A outra me segura, me agarra me crava os dentes num gesto de repressão. Meus cabelos estão empoeirados como a cristaleira da sala. Ele está sem coragem de me olhar. Vou insistindo, o garçom me serve com um sorriso - mas não é esse sorriso que me atinge- continuo indiferente aos olhos do da humildade. Uma mulher de saia entra e senta, seu acompanhante grisalho não pára de me aplicar olhares pelas costas dela. Eu não entendi! (nunca fui de entender olhares disfarçados).Engraçado...Pareciam tão felizes os dois. Um súbito desânimo me contagia -não conheço a música que o cara da guitarra está tocando. Odeio quando não conheço. Por fora, tento dissimular tudo. Bom trabalho. Examino minhas unhas vermelhas e curtas contrastando com o forro amarelo da mesa.O garçom traz a conta. O cara da guitarra toca mais uma, mais outra e mais aquela. Entre um 'boa noite' e um 'obrigado', ele parece tão ausente. E eu tão ali, acompanhando Light My Fire com os lábios. Naquele momento me senti mais equilibrada: a minha metade apolínea fez as pazes com a dionisíaca. Por 30 segundos.
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